sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um palavrão soprado

por: Hermano Chiodi Freitas


Oscar Niemeyer, a vida é um sopro. Belo filme, belas imagens. Um filme redondo, sem quinas e sem atritos. Um filme como tem que ser um filme sobre Niemeyer. No ano em que completa seu centenário de vida, dia 15 de dezembro, o arquiteto ganha de presente um documentário sobre sua obra. Não vá ao cinema esperando conhecer a biografia de Niemeyer. O filme é uma grande e merecida homenagem. Conta através de imagens e depoimentos a história profissional do arquiteto. Não apresenta informações inéditas, mas é um filme que merece ser visto.

Mais do que protagonista, Niemeyer é o anfitrião daqueles que entram em sua vida. Ele conduz e determina o que será visto e como será visto. O filme é uma aula de arquitetura e não apresenta críticas. Para todas as opiniões contrárias, Niemeyer apresenta sua defesa. Por exemplo, “dizem que meus projetos não são práticos. Eu fiz a sede do partido [comunista Francês], dez anos depois eles me chamaram para fazer o prédio do jornal [Le Humanité], significa que funciona, se não funcionasse não me chamavam”. Para as críticas que não tem resposta, a resposta é pronta “tudo tem que explicar. Mediocridade ativa é uma merda”.

Merda é a marca do vocabulário no filme, mas não é um problema. Diante de imagens tão belas, o vocabulário é um detalhe, um toque de bom humor e descontração que desloca a aula do mestre de sua linha reta e previsível. Pensamentos sobre a vida e arquitetura são desenvolvidos utilizando um amplo leque de palavrões, o próprio conceito de Niemeyer sobre a existência, “a vida é um sopro”, é acrescido de outro: “A vida é isso – nasceu, cresceu, morreu, fudeu-se”. Para Niemeyer, a arquitetura é o “momento da invenção” e “é feita para os ricos”, mas ao menos serve para os pobres admirarem a beleza quando passam em frente.

O filme resgata registros iconográficos importantes sobre a construção de Brasília e da Pampulha em Belo Horizonte, discursos sobre a criação do prédio do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, atual Palácio Gustavo Capanema, depoimentos do arquiteto Lúcio Costa e uma entrevista com Jean-Paul Sartre durante sua visita ao Brasil falando sobre a revolução Cubana. Inserções que intercalam o imenso depoimento de Niemeyer e dão ritmo ao filme.

Oscar Niemeyer – A vida é um sopro tem 90 minutos de duração que passam rapidamente e começou a ser produzido no aniversário de 90 anos do arquiteto. Direção de Fabiano Maciel

Ficha técnica
OSCAR NIEMEYER: A VIDA É UM SOPRO
Brasil, 2006
Direção e roteiro: FABIANO MACIEL
Produção executiva: SACHA
Fotografia: MARCO OLIVEIRA, JACQUES CHEUICHE
Montagem: JOANA COLLIER, JORDANA BERG, NINA GALANTERNICK
Música: JOÃO DONATO, BERNA CEPPAS, KASSIM, FELIPE POLI
Som direto: BRUNO FERNANDES, ROBERTO RIVA
Pesquisa: EDUARDO GUEDES, NUNO GODOLPHIN
Duração: 90 minutos

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As curvas de Niemeyer na telona

Por: Thiago Nogueira


Um filme sobre a vida de Oscar Niemeyer precisava ser tão belo quanto suas obras. E foi. No documentário Oscar Niemeyer – A vida é um sopro (2007), do diretor gaúcho Fernando Maciel e do produtor carioca Sasha, os contornos e curvas do mais famoso arquiteto brasileiro foram apresentadas de forma descontraída e elegante, num estilo bem parecido com a habilidade dos traços do projetor de Brasília e do Complexo da Pampulha. O filme é a prova que as linhas e a poética dos prédios de Niemeyer também ficam esteticamente harmônicos mesmo projetados numa tela.

Veja o site oficial: www.avidaeumsopro.com.br.


Ouvir aquele velhinho contando suas experiências, trabalhos, conquistas e erros cativa a todos que estão no sala de cinema. Parecia tudo perfeito: o filme e as obras do arquiteto. Num misto de humor e boêmia, Niemeyer, 99 anos de boa saúde e pura lucidez, tem uma maneira toda especial de narrar suas aventuras: o discurso sobre amigos, mulheres e aspectos pitorescos do Brasil criam um clima familiar no espectador.


A vida é um sopro não está em exibição nos grandes cinemas. A direção do filme preferiu restringi-lo a um público seleto e não gastar com publicidade, seleção essa que não pode deixar de fora sequer um arquiteto ou estudante da área. Como estratégia de marketing, a primeira semana de exibição do documentário foi gratuito em todos os cinemas do país. Num primeiro momento, você pensa: "ah, é de graça, então deve ser ruim". Mas o resultado foi outro. O diretor Fabiano Maciel, no bate-papo UOL, no último dia 07, comentou que a obra foi vista por sete mil pessoas nos 15 primeiros dias de exibição. Isso, levando-se em consideração que o filme esta em exibição em apenas uma sala de um único cinema nas capitais (menos Brasília e Porto Alegre).


Veja informações sobre a sessão em BH no Usiminas Belas Artes Cinema: www.embracine.com.br.



Nessa sinergia entre arquitetura e cinema, um elemento fundamental foi a direção de fotografia da obra, assinada por Marco Oliveira e Jacques Cheuiche. As imagens precisavam potencializar as obras de Niemeyer, valorizando linhas, formas e mostrando como as construções se integravam à aspectos do cotidiano. As soluções dos diretores passam da improvisação da gravação em cima de um skate, como nas tomadas do Museu de Curitiba, ou sobre patins, nas imagens do Espaço Oscar Niemeyer, em Le Havre. O feliz casameto arquitetura/imagens é o ponto alto do documentário.

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quinta-feira, 10 de maio de 2007

“A vida é um sopro”

por: Michelle Natascha Beckmann

O diretor e roteirista Fabiano Maciel começou, em 1998, uma missão, que depois de quase dez anos, ficou pronta.

Mas queria ele descrever a vida de Oscar Niemeyer talvez não porque seria quase impossível contar, em 90 minutos, um belíssimo projeto arquitetônico de vida, de quase 100 anos... ih, para isso, nem eu imagino quantas películas seriam necessárias.

O documentário é o espelho do criador das mais belas obras arquitetônicas do brasil. e se niemeyer tem um jeito solto e irreverente de falar, nada melhor do que manter o estilo dessa criança “centenária”. o que aliás, faz com que o público dê algumas risadas, tornando o olhar fixo na tela do cinema, um divertido passatempo.

O filme (ou a homenagem, como queira), expõe depoimentos de quem admira e conhece o trabalho do mais famoso arquiteto brasileiro: Nelson Pereira dos Santos, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony, Chico Buarque, José Saramago, Eric Hobsbawm, Eduardo Galeano (que, alías, tira o telespectador do lugar comum, quando diz que, no dia em que Deus criou as curvas do rio, tentou ser Niemeyer).

Por trás de projetos feitos de concreto, tijolos e lajes, se esconde uma personalidade boêmia e bem-humorada, que revolucionou a arquitetura moderna. Niemeyer vê na profissão uma forma de mudar o mundo, que nos faz insignificantes diante do vasto e indefinido universo. por isso, técnica e cálculo, alidados à criatividade, se colocam, para o arquiteto, como alternativas para que se criar uma sociedade mais justa.

É, caro leitor, devemos ter muito cuidado com cada material que usamos para erguer a nossa trajetória; dia-a-dia. pois se a base construída não for segura, qualquer vento pode derrubá-la. e essa brisa somos nós. por si só, a vida é um sopro.

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Vida e obra de Oscar Niemeyer em “A vida é um sopro”

por: Marina Toledo

Não leve a vida muito a sério, afinal, “A vida é um sopro, um minuto, e aí tudo se desfaz”. Essa frase revela o tom do documentário que está por vir: leve, descontraído, irreverente e apaixonante, assim como Oscar Niemeyer. O que se vê na tela tem um ar de homenagem ao arquiteto quase centenário.
Depoimentos de outros grandes nomes como José Saramago, Chico Buarque, Ferreira
Gullar, Eric Hobsbawn, Eduardo Galeano, Mário Soares, Ítalo Campofiorito Carlos Heitor Cony e Nelson Pereira dos Santos enriquecem o documentário e exaltam a figura e a importância do arquiteto.

No filme Niemeyer fala sobre suas maiores inspirações: a mulher e seu corpo cheio de curvas, os cursos dos rios e as montanhas. Com sua personalidade crítica fala sobre suas grandes realizações, como Brasília e a sede do Partido Comunista da França, e de suas obras espalhadas pelo mundo inteiro e sobre política e a situação do Brasil. Um dos ápices do filme é a parte em que ele defende com uma emoção aparente a criatividade.

O documentário Oscar Niemeyer - A Vida É um Sopro
foi dirigido por Fabiano Maciel e possui 90 minutos de duração e mostra como Niemeyer revolucionou o mundo da arquitetura com suas linhas curvas e ousadas em concreto armado. O filme é o primeiro do diretor e contou com gravações em outros países também, Argélia, Itália, Estados Unidos, Uruguai, França, Inglaterra e Portugal. O documentário começou a ser rodado em 1998, mas somente em 2007 chegou às telas do cinema.

Antes de dirigir A vida é um sopro, Maciel realizou outros dois documentários. Carrapateira conta a história de uma vila na Paraíba acerca do fato de que era a cidade mais pobre do país quando o homem pisou na Lua e Vaidade, sobre as revendedoras Avon que vendem produtos de beleza em pleno garimpo no Pará.

Um fato interessante que chamou a atenção do público foi o fato de que por uma semana, o público pode assistir ao documentário de graça. Isso porque os produtores do filme ao em vez de gastar com publicidade, compraram os ingressos para a primeira semana do filme em algumas salas em todo o Brasil e os distribuíram nas salas de cinema.

Clique aqui
para assistir o curta de Marc-HenriWajnberg com imagens do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e Oscar Niemeyer passeando no Rio de Janeiro.

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Niemeyer - Uma personalidade exaltada por um admirador

por: Maria Silva e Silvério

Conhecer Oscar Niemeyer não só por seus traços curvilíneos da arquitetura, como também por sua personalidade e ideais de vida. A história profissional dessa personalidade brasileira está relacionada a importantes momentos do país, como a construção de Brasília, do Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte e do período de ditadura militar, quando foi proibido de exercer sua profissão por ser considerado comunista. Além disso, os traços de Niemeyer influenciam a arquitetura mundial e podem ser reconhecidos em importantes obras, como na sede da ONU, em Nova Iorque, na reconstrução da cidade de Berlim após a segunda guerra mundial e na Universidade de Constantine, na Argélia.

O documentário "Oscar Niemeyer - A vida é um sopro", possibilita ao telespectador compreender um pouco da arquitetura brasileira, além de conhecer mais de perto esse senhor de 99 anos, que, apesar de bem sucedido, se define como simples e defende mudanças sociais. Em 90 minutos, o diretor Fabiano Maciel utiliza imagens raras de arquivo e depoimentos de amigos e apreciadores de Niemeyer, como José Saramago, Nelson Pereira dos Santos, Ferreira Gullar, Chico Buarque, Carlos Heitor Cony e Eric Hobsbawn. Os depoimentos ajudam a revelar características de Niemeyer não só como arquiteto, mas como ser humano.

As gravações começaram em 1997, mas, por falta de recursos, o longa só ficou pronto agora. Para ilustrar as principais obras de Niemeyer foram feitas imagens em seis cidades brasileiras, além da França, Itália, Argélia e Estados Unidos. A estratégia de divulgação do documentário é diferente e não conta com propaganda nos meios de comunicação. Os distribuidores optaram por comprar ingressos e distribuí-los gratuitamente em seis capitais do país na primeira semana de exibição do filme. A intenção é que a propaganda seja feita de boca em boca. Estratégia bem sucedida ou não, o que interessa é que o filme provavelmente terá muitos elogios.

Não resta dúvidas que ele é interessante e irá ampliar o leque de conhecimento do espectador. A grande certeza, no entanto, é que o diretor Fabiano Maciel conseguiu, em seu primeiro longa-metragem, atingir seus objetivos. Maciel se declara fã do arquiteto e assumiu em entrevistas que a inspiração para gravar o documentário foi a sua percepção de que o país está ficando cada vez mais feio, com prédios ridículos. Por isso, valorizar e exaltar a arquitetura de Niemeyer seria, para ele, uma maneira de fazer com que os brasileiros olhassem com mais atenção as construções que estão sendo feitas. Além disso, Maciel também se mostrou incomodado com as conversas que ouvia em botequins, onde todos criticavam Niemeyer e a funcionalidade de suas obras.

Quem assiste ao documentário tem a certeza que Niemeyer é um gênio. Além de reforçar a noção já definida, de que ele é o maior arquiteto brasileiro da modernidade, o telespectador sai do cinema admirando a força de vontade, seriedade e convicção desse brasileiro. Os relatos dados, não só por Niemeyer, como também pelas outras personalidades que aparecem no filme, deixam a impressão de que o arquiteto sabe tudo e tem sempre razão. Mas por que algumas de suas obras são tão polêmicas e criticadas? Por que será que tanta gente fala mal do arquiteto nos botequins? Será que ele é mesmo mal-humorado e impaciente? Os espectadores só terão essas respostas se procurarem em livros, matérias de jornal ou em outros documentários sobre Niemeyer e sua vida!

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quarta-feira, 9 de maio de 2007

Por um sopro

por: Bárbara Teles

Há oito meses de completar 100 anos, lúcido, com insinuações boêmias e palavriado irônico-humorístico, a vida de Oscar Niemeyer é um sopro. Assim, leve. Quase que artetonicamente planejada. E foi a simplicidade desse traço que deu o recado-homenagem de Fabiano Maciel, realizador do documentário sobre a obra de um dos arquitetos mais relevantes no contexto mundial.

Abordando quase um século de vida, o filme conseguiu reunir nomes também relevantes, que endossam a diferença no trato profissional do arquiteto que o diferencia. Na coletânea há registros de falas, ótimas falas, de Chico Buarque, Ferreira Gullar, José Saramago, Eric Hobsbaw, com um olhar especial ao depoimento de Eduardo Galeano, que define Niemeyer como alguém que odeia o capitalismo e a linha reta.

E isso que ele gosta, curvas, se converge no que mais dá a ele prazer: a mulher. Cena final do documentário, nos quase 90 minutos, os momentos de redundância e de talvez uso inadequado de algumas imagens, deixa de ser relevante pela quebra, mais uma vez, daquilo que poderia ser reto, comum. Simples, de novo, há uma ruptura que parece até tirar um entrevistador que nem aparece e dá ao documentário um gosto de surpreendente; mesmo que Niemeyer tenha sido nas filmagens o mesmo desbocado, boêmio e inteligente.

O filme deixou de lado o aspecto puramente pessoal, reafirmando o porquê de adjetivar o objeto sujeito em questão como um revolucionário da Arquitetura Moderna, pela sua exploração ao concreto e visão sobre o papel social de uma geração que urgentemente deve repensar o Brasil.

Curvas, mulheres, ideologia, política, impacto. Homenagem por homenagem, até nos faz lembrar um outro mestre, Vinícius de Moraes que, se tivesse vivo, poetizaria os pontos curvilíneos do filme e fecharia com a boemia de ser simples, porque grandes construções podem vir de um sopro.

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Documentário homenageia Oscar Niemeyer

por: João Victor de Araújo Leite

O documentário “Oscar Niemeyer - A Vida é um sopro”, de Fabiano Maciel, conta a vida e obra deste que é considerado o maior nome da arquitetura brasileira. Mais do que um filme, o longa é uma verdadeira homenagem ao arquiteto que em 15 de dezembro completará cem anos de vida.
Leve e irreverente, o filme revela a personalidade boêmia, crítica e bem-humorada que existe por trás do criador de Brasília, da sede do Partido Comunista Francês, além de tantos outros projetos importantes espalhados pelo mundo.

O documentário não é um filme inovador, diferenciado, porém, o diretor Fabiano Maciel soube usar com muita maestria antigos depoimentos de Niemeyer sobre política, mulheres, amizade e sobre o Brasil. O filme é bem pensado, “arquitetado”, alterna trechos de entrevistas com belíssimas imagens das obras e do mundo em que vive Niemeyer.

Os depoimentos de José Saramago, Eric Hobsbawn, Nelson Pereira dos Santos, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e Chico Buarque, entre outros, complementam a obra.
O que mais impressiona no filme não são as imagens, mas sim a personalidade de Niemeyer e como a sua história se confunde com a do Brasil.
Quem assistir ao filme vai se surpreender com um Niemeyer contestador, que critica a burguesia e os meios de comunicação e que debate, inclusive, sobre o seu ideal de vida.

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'A vida é um sopro' conta os desejos, sonhos e obras de Niemeyer

por: Pedro dos Anjos

Simplicidade. Essa característica tão marcante da obra de Oscar Niemeyer é o fundamento de Fabiano Maciel na realização do excelente 'A vida é um sopro', documentário sobre a vida, e a obra, do arquiteto de quase 100 anos de idade, completa em dezembro, e com mais de 60 deles dedicados à carreira que o tornou um dos nomes mais respeitados da arquitetura mundial.

Os morros, as praias e as mulheres do Rio de Janeiro são a origem do traço puro e cheio de curvas que faz o trabalho de Oscar Niemeyer tão reconhecido. E é desta mesma forma suave e sinuosa que 'A vida é um sopro' mostra a biografia do arquiteto. Sem engrandecimento exacerbado, sem tom de exaltação, sem culto nem mistificação, Oscar Niemeyer se mostra (e é mostrado) como é realmente: um homem com muita história para contar. 'Eu tive uma vida como a de qualquer outra pessoa, e a vida passa como um sopro.(...) Se me perguntam o que eu acho do meu trabalho ser reconhecido no futuro, penso que quem reconhecer daqui a todo esse tempo vai morrer também, então a pergunta passa a não fazer o menor sentido'.

'A vida é um sopro' tem narrativa em primeiríssima pessoa, é o próprio Niemeyer quem narra os acontecimentos da sua vida, em ordem cronológica e com rara simpatia. A lendária dificuldade de acesso ao arquiteto desaparece conforme as histórias vão sendo contadas entre tragadas da cigarrilha companheira e rabiscos despretensiosos na prancheta. Também desaparece, na edição primorosa, a figura do entrevistador. A conversa direta entre o arquiteto e o espectador se funde perfeitamente com os depoimentos de amigos e admiradores como o poeta Ferreira Gullar, os escritores Carlos Heitor Cony, Eduardo Galeano e José Saramago.

Imagens atuais de prédios e monumentos projetados por Niemeyer, assim como imagens antigas das construções e inaugurações dos mesmos, servem como ilustração, mas sem qualquer pedantismo didático. Soam tão naturais quanto os palavrões ditos pelo arquiteto, tão naturais quanto ao fato dele ter se casado pela segunda vez no ano passado, tão naturais quanto à lucidez de um homem que, à beira de completar um século de consistência e coerência inabaláveis, continua em plena atividade, desenhando de forma livre como se ainda fosse o menino que desenhava com o dedo no ar. 'A vida é um sopro' mostra simplesmente que, na verdade, ele ainda é.

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terça-feira, 8 de maio de 2007

Musica do Tom, Casa do Oscar

Por: Fábio Gruppi


A vida é um sopro. Essa é a frase repetida algumas vezes por Oscar Niemeyer e que dá o tom ao documentário biografico produzido pelo diretor Fabiano Maciel. O documentarista optou como cenário o escritório de Niemeyer em sua casa no Rio de Janeiro, o que não nos diz muito da grandiosidade de um homem que completou o centenário em 2007 e que revolucionou a arquitetura mundial. A beleza e o tamanho das obras do arquiteto ajudam o filme a não ser monótono, afinal não é qualquer vida que preenche 90 minutos sem cansar a platéia.

Oscar não esconde sua postura anti-capitalista e em meio a seus depoimentos deixa mensagens de sua forma simples de encarar a vida. Como ele mesmo diz, a vida é um sopro, então extinguir as linhas retas e experenciar a vida. Assim como ele fez ao construir a Pampulha, criando vida no concreto. Não apenas pelas curvas que desenhou, mas também por se juntar a pintores, escultores como fez com Picasso na “igrejinha”.

Niemeyer que criou junto com seu estilo uma identificação das pessoas com suas obras (sejam prédios, esculturas,...). Brasilia foi uma segunda etapa de sua parceria com o presidente JK (primeira foi a Pampulha) e a cidade incita imagens semioticas de representação da cidade. Não só no Brasil, mas no resto do mundo inteiro.

E nesse resto de mundo Niemeyer mostra que nós brasileiros, sempre nos julgando inferiores o menos capazes que a população do primeiro-mundista, na verdade estamos na frente pela nossa leveza em encarar o mundo. Não é atoa que ele se gaba de ter sido gentil ao “deixar pra lá” quando um outro arquiteto renomadíssimo ganha a obra do prédio da ONU com um projeto idealizado por ele.

Chico Buarque, Ferreira Gullar, José Saramago também inaltecem as obras de um arquiteto que vê em seus projetos não predios, mas futuras obras de arte. Como compara Chico Buarque: "Casa do Niemeyer é igual a musica do Tom".

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Luz, câmera, imaginação!

por: Mariana Faria


Oscar Niemeyer – A vida é um sopro é um documentário que, além de mostrar as principais obras e expor os pensamentos do arquiteto, mostra ao público o longo caminho que a imaginação pode percorrer, por si só, e a sua importância para a humanidade.

A impressionante capacidade de criar, inovar e principalmente se diferenciar dos demais, fez de Niemeyer um dos mais influentes arquitetos brasileiros do século XX. Em uma obra rica em depoimentos e imagens, podem-se conhecer não somente as criações que lhe consagraram, como também a trajetória e os ideais de um homem de 100 anos e total lucidez. Além disso, o documentário é um relato histórico do crescimento do país acompanhado passo a passo por Niemeyer, em uma época na qual o arquiteto foi extremamente influente.

O diretor Fabiano Maciel deixa explícita a idéia de que Niemeyer é um arquiteto do mundo, tendo obras espalhadas pelos mais diferentes lugares, de culturas variadas, e ainda assim sendo capazes de se encaixar perfeitamente onde quer que estejam. França, Itália, Estados Unidos e Argélia são alguns dos países que tiveram o privilégio de conhecer a criatividade do arquiteto. Ao longo do documentário o arquiteto explica as idéias e o desenvolvimento dessas obras, abrindo espaço para diversas interpretações.

Ele faz da simplicidade e das linhas curvas o seu ponto de partida e os seus maiores artifícios, processo que é mostrado e explicado no documentário através de desenhos do próprio artista. Niemeyer desenvolve idéias e transforma produtos de sua imaginação em realidade, baseado em belezas como as curvas livres e sensuais do curso dos nossos rios, das nuvens e dos corpos femininos. O arquiteto, aliás, exalta a sua paixão e admiração pelo seu país, principalmente por sua cidade natal, o Rio de Janeiro, e pelo corpo e mente femininos, usando-os como fonte de inspiração.

São mostradas as diferentes visões de um crítico, poeta, político, filósofo, carioca e romântico. O lado humano do arquiteto é mostrado por ele mesmo, com toda a sua irreverência, ironia e inteligência. O título A Vida é Um Sopro é uma frase por ele citada diversas vezes, já acostumado a lidar com a idéia de desenvolvimento e fim uma vida no auge dos seus 100 anos.

Quem assiste ao documentário pode entender que a vida pode sim, ser um sopro ligeiro, mas, através do talento e principalmente da imaginação, muita coisa pode ser feita durante esse tempo. A rapidez de criação e a perfeição do resultado das obras de Niemeyer impressionam até quem nada entende de arquitetura.

As obras do arquiteto são a sua maneira de intervir no mundo, depositando nele, através da arte, a sua paixão, pensamentos de vida e ideais de justiça. Sua trajetória é também uma lição de vida, inspiração e uma nova visão de mundo e de um Brasil que, em todo esse tempo, nunca parou de crescer.

Em Belo Horizonte, Oscar Niemeyer – A vida é um sopro está em cartaz no Espaço Usiminas Belas Artes.

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O sopro da vida

por: Cristina Alkmim
Crédito: divulgação








Cena de "Oscar Niemeyer - A Vida É um Sopro"

Duas histórias se misturam de maneira tão intrínseca que se torna quase impossível diferenciar a ordem cronológica de ambas: a construção de Brasília e a ascensão e glória do ilustre arquiteto moderno Oscar Niemeyer. Relato da vida e da obra do artista, o documentário “Oscar Niemeyer: a vida é um sopro“ confirma a genialidade do artista, hoje com 99 anos de idade, dono de uma memória invejável e uma linguagem única.


O documentário aborda a infância e a adolescência do arquiteto e, posteriormente, abrange sua vida profissional, desde o motivo que o levou a escolher a profissão até os processos de elaboração de seus principais projetos, entre eles a Obra do Berço (seu primeiro projeto), o conjunto arquitetônico da Pampulha, a nova sede federal, o edifício Copan (um dos símbolos da capital paulista), bem como a sede do Partido Comunista Francês e construções em universidade na Argélia, país para onde fora deportado. Constantemente descontraído, Niemeyer fala sobre sua relação com amigos, como Juscelino Kubitschek, mulheres, a arquitetura nacional e transparece não ter superado ainda suas rixas com o célebre arquiteto francês Le Corbusier.

Dirigido por Fabiano Maciel, que também é o roteirista do documentário, os 90 minutos de duração foram produzidos pela Santa Clara Comunicação e filmados em seis cidades do Brasil, além da França, Argélia, Itália e Estados Unidos. O documentarista usa imagens de arquivo, como da época da construção de Brasília, e depoimentos, como do escritor português José Saramago e dos ilustres brasileiros Carlos Heitor Cony e Chico Buarque.

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segunda-feira, 7 de maio de 2007

Documentário mostra a vida e obra do principal expoente da arquitetura brasileira

por: Leandro Maia

“Fodido não tem vez”. Essa frase é considerada por Oscar Niemeyer como uma das poucas coisas certas da vida. O arquiteto soltou essa frase quando falava das pessoas que criticam suas obras por serem muito elegantes e sem utilidade para as pessoas de classe baixa tornando-se apenas um objeto de contemplação que muitas vezes nem é compreendido. Com essas e outras passagens, o documentário mostra o humor irônico e a impaciência do arquiteto que completa 100 anos em dezembro.

O longa-metragem, Oscar Niemeyer – A vida é um sopro, do diretor Fabiano Maciel, teve uma estratégia de divulgação um pouco incomum. O distribuidores compraram os ingressos de seis cinemas no país onde o filme está em exibição nessa primeira semana, para incentivar o comparecimento de espectadores pensando na contribuição espontânea gerada pelo comentário boca-a-boca.

O diretor começou a produzir o documentário em 1997, a partir da captação de depoimentos do arquiteto, mas só consegui terminá-lo dez anos depois por falta de patrocínio para bancar o restante que incluiu várias viagens brasileiras e estrangeiras onde Oscar Niemeyer realizou obras.

O documentário é uma clara defesa da arquitetura, principalmente a brasileira, onde o personagem é o principal expoente, que vem sendo esquecida e se tornado uma cópia de obras já realizadas. Niemeyer exemplifica essa decadência citadando a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que tem vários prédios “sem forma, parecendo um caixote e com varandas sem funcionalidade” onde também encontra-se um shopping center com uma réplica da Estádua da Liberdade”.

Niemeyer reclama das pessoas que querem uma explicação para os seus projetos. Ele diz que as obras não tem que ser explicadas e sim admiradas e utilizadas. Segundo o arquiteto, ele é questionado porque a praça dos Três Poderes não tem árvores. Niemeyer responde que é uma praça cívica onde o elementos da arquitetura são o que importa e que as árvores dariam sombra, mas esconderiam o principal, os prédios dos poderes.

Fabiano Maciel conseguiu fazer com que o arquiteto comenta-se de um assunto sobre o qual fala raras vezes, o projeto arquitetônico da sede da ONU, em Nova York. Niemeyer e e o arquiteto francês Le Corbusier, apresentaram projetos para a construção da sede em 1947, e o projeto do brasileiro foi o escolhido, mas por sugestão do francês houve uma modificação na localização de um prédio. Esse fez com que essa parceria rendesse mais reconhecimento a Le Corbusier. Esse momento é registrado no filme, por uma foto onde o francês recebe o prêmio pelo projeto.

O filme está em cartaz com sessão gratuita, nessa primeira semana, em apenas um cinema de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Oscar Niemeyer – a vida é um sopro


por: Maria Eduarda Borelli

Uma bela aula sobre a arquitetura de Oscar Niemeyer, um dos brasileiros mais conhecidos internacionalmente, dada pelo melhor dos professores, o próprio Niemeyer. O registro de um homem lúcido, que completa cem anos em dezembro, fala com despojamento e poesia de seus valores arquitetônicos e de sua visão de mundo. Este é o grande trunfo do primeiro longa-metragem do diretor e roteirista Fábio Maciel, projeto que lhe foi designado pelo produtor Sacha, idealizador do documentário em 1997, quando era diretor na TVE Brasil.

Entre matérias tele jornalísticas, vídeos institucionais e depoimento de intelectuais, os principais personagens desse documentário são a fala do autor e sua obra. A relação entre os dois deixa claros os objetivos do homem que ama as mulheres e odeia os ângulos retos: a “alegria da forma bela” e a necessidade de fazer “cantar os pontos de apoio”. O resultado é um roteiro de leveza e simplicidade, cuja história é ilustrada apenas pelos impressionantes edifícios projetados pelo arquiteto. E isto já basta para tornar este, um belo projeto.

Mas o filme não é só uma coletânea de imagens de construções e desenhos feitos pelo arquiteto para o espectador, embora isso já seja uma oportunidade inédita para o grande público. O documentário é também uma oportunidade de compreender como pensa uma pessoa tida como gênio. O filme mostra bem como a aceitação da temporalidade de sua vida e obra e a consciência de que na vida “nasceu, morreu, fudeu-se” fizeram com que Oscar Niemeyer tivesse o desejo de não ser mais um. Porém, quem tiver ressalvas a fazer ficará contrariado, já que não existe uma só crítica ou contra argumento a respeito de Niemeyer e suas criações.

A estratégia de publicidade acabou favorecendo o público, pois todos os ingressos para o filme serão gratuitos, na semana de estréia. As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasília serão agraciadas com esta cortesia . Desta forma, espera-se atrair espectadores que não iriam assistir ao filme e conseguir algum sucesso no boca-a-boca.

Na capital mineira, o documentário está em exibição, no Cine Belas Artes, até o dia 27 de abril, às 19h30min. Depois de sexta-feira, os ingressos serão cobrados e o tempo que ele ficará em cartaz dependerá do sucesso com o público.

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A Vida é um Sopro – A obra de um grande homem

por: Mariana Renan

O filme Oscar Niemeyer - A Vida é um Sopro, dirigido por Fabiano Maciel, estreado em abril, é um documentário que faz uma homenagem e mostra a obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, considerado um dos principais do país no século XX.

O filme retrata basicamente os feitos do arquiteto, que completará cem anos em dezembro. Os depoimentos de Niemeyer mostram sua visão sobre a arquitetura, a vida e o homem. Com sua linguagem própria, ele discursa sobre amigos, mulheres e também sobre o Brasil e sua própria geração, que se destaca por ter sido pensativa, privilegiada e diferente da que vemos hoje. O filme não faz críticas, não trata de assuntos diferentes dos citados acima e pode parecer um pouco institucional. Mas é, sem dúvida, uma grande produção, direcionada para quem deseja apreciar as ações de um grande homem, com uma memorável e extensa carreira. Assista o trailer do filme.

Um aspecto interessante sobre a estréia do filme foi a novidade criada por Maciel: a entrada é franca durante a primeira semana do filme no cinema. Essa diferente tática de divulgar a obra no boca-a-boca pode ter vindo a calhar, já que a divulgação de filmes é cara e nem sempre o público aceita bem documentários. Assim, fica fácil conferir a vida do homem que projetou Brasília, o Auditório Ibirapuera, o Memorial da América Latina, além da sede do Partido Comunista Francês e da Editora Mondadori, na capital Milão. Confira aqui o site do filme.

As sessões foram gratuitas até o dia 26/04. Em Belo Horizonte, o filme é exibido no Usiminas Belas Artes, localizado na rua Gonçalves Dias, 1.581 – Lourdes. Horário: 19h30.

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